Notas sobre não lugares: reidentidade.

Eu queria pensar que eu ia e pensei.

Eu queria e, portanto, pensei.

Não. Não apenas pensei; eu também fui.

Fui por que pensei que iria, que deveria ir.

Fui por que sabia que queria ir e, se queria, deveria.

E, sendo assim, eu fui.

Só que, mesmo pensando e querendo – e conhecendo este querer – antes de ir e mesmo tendo a certeza de que havia ido, eu percebi, ao chegar, que estava em lugar nenhum, que havia chegado a lugar algum.

Percebi que não havia ido.

Não, eu não fui.

Eu ainda me vejo. Eu ainda me sinto.

Eu não saí do lugar, do meu lugar, de mim.

Sendo assim, fracassei.

Não cheguei lá, pois não fui.

Não fui nada além do eu que eu era e continuo a ser.

Não fui nada e nada sou.

Além de tudo, no meio do caminho, meu chapéu vermelho tornou-se apenas uma lembrança.

(Isto tudo por que eu sei o que acontecerá, ao seu tempo, assim como até hoje aconteceu: a transferência da náusea, da vontade de me fazer em degetos.)

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