(catarse).

Páginas e páginas foram colocadas frente a mim, em branco. Páginas e páginas foram colocadas frente a ti, com quase todas as palavras, com todas as minhas palavras. E qual serventia tiveram?

O mais profundo do meu suor, do esforço, das lágrimas e do sangue. Todos os líquidos e todo sentimento que eu meu corpo poderia gerar foram entregues na tinta, nas tintas, que, por sua vez, doou-se ao papel – doou-me ao papel.

O retorno, a conseqüência, talvez tenha sido apenas o vazio. Eu me esvaziei para que pudesse te encher, colocar algo em ti; para que pudesse fazer com que tu gerasses algo em ti mesmo, para ti mesmo, uma estrela brilhante que faz brilhar um antigo caos, hoje aos pedaços. Não! Nunca fiz nada pensando em mim, apenas em mim. Foi em ti que sempre pensei. Era a ti, e não mais a mim, que eu queria. Esvaziei-me, em líquidos de mim mesmo – sangue, suor, lágrimas – para que tu pudesses ser preenchido pelo o que de mais nobre há; para que o vazio que um dia habitou em ti pudesse se lavado por uma onda de completude – o ex nada, o tudo de agora. Até que ponto consegui?

Desconhecido eras para mim, antes que eu pudesse ver-te e antes que tuas palavras pudessem tocar em mim, tocar algo em mim. Desconhecido eras após teres assim me tocado. Desconhecido continuastes a ser após eu ter, também, te tocado – ou pensado ter te tocado. Hoje sei que no desconhecido, e apenas nele, é que podes habitar; para outro plano eu não poderia te trazer – e nem creio que tu possas, e nem que alguém possa.

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