“Gainsbourg, Vie Héroïque” (2010).

O que dizer de um músico, poeta, ator e cineasta que trabalhou com, dentre outros nomes, Juliette Gréco, Catherine Deneuve, Anna Karina, Brigitte Bardot e Jane Birkin (sendo também amante destas duas [e de tantas outras mais…])?

Pouco sabia eu a respeito do parisiense Serge Gainsbourg (1928-1991). A partir do drama “Gainsbourg, Vie Héroïque” ou “Gainsbourg, O Homem que amava as mulheres”, tal como chegou às telas brasileiras (título que considero um tanto “repensável”), do diretor de cinema e também cartunista Joann Sfar, pude conhecê-lo melhor.

O primeiro momento do filme revela um menino judeu, nascido Lucien Ginzburg, numa França ocupada por Alemães em meio à época da II Guerra Mundial, que, lançando mão de uma “pitada” de rebeldia, aos pouco se apaixona pela vida “underground”, boêmia, tanto quanto pelas artes. Inicia seus estudos em Belas Artes e é às artes plásticas que se dedica durante bons anos de sua vida, até se entregar à carreira musical.

Sob a influência de seu pai, que foi pianista, desde pequeno estuda música, com enfoque nos estudos de piano. É justamente este instrumento que será seu fiel companheiro de trabalho e, também, de uma vida; uma vida regrada à álcool, cigarros, polêmicas, mulheres e muita criatividade. Surge aqui o segundo momento do filme, o momento do Gainsboug adulto.

Teve um caso com Bardot, para quem compôs a polêmica música, de melodia e letras consideradas extremamente sensuais, “Je t’aime moi non plus”. Esta, porém, só veio a ser gravada mais tarde, junto à esposa, Jane Birkin, uma vez que Bardot, casada à época, preferiu evitar polêmicas (sem grande sucesso…).

(Os originais)

 

(Os atores)

Muito feliz foi o trabalho da escolha dos autores para o filme. Não há como negar a semelhança entre a atriz e modelo Laetitia Casta e Bardot, bem como a de Lucy Gordon e Jane Birkin. Eric Elmosnino, que interpreta o personagem principal, também não deixa a desejar no quesito semelhança.

Além disto, e principalmente, magnífica é a mistura que Sfar consegue fazer a partir de uma história polêmica, e um tanto trágica, e um viés imaginativo, representado pela personificação de figuras imaginadas por Gainsbourg desde a infância, no filme. É justamente este viés imaginativo que nos permite concluir que muito do Gainsbourg menino jazia no Gainsbourg adulto.

Uma destas figuras é uma espécie de alter-ego de Gainsbourg, no qual podemos perceber o exagero de suas características mais notáveis, sendo estas características físicas (grandes dedos, grandes orelhas e nariz) ou psíquicas (o inegável distanciamento do ideal de estabilidade…), que o acompanha em até divertidas conversas. “É o cartunista Sfar ajudando o cineasta Sfar”. 1

Gainsbourg morreu em 1991, deixando como herança também sua filha Charlotte Gainsboug, a qual seguiu o caminho da mãe e tornou-se atriz, visto como uma figura polêmica pelos franceses. Foi enterrado no cemitério de Montparnasse, junto aos seus pais.

Não há como não sentir a sede de uma vida libertina, sensível, criativamente livre e apaixonada, ao conhecermos melhor biografias como esta…

1 : http://bravonline.abril.com.br/materia/o-heroi-das-causas-perdidas#image=167-ci-gainsbourg-1

 

Cá eu aqui, tentando cumpri aquela velha vontade de conseguir fazer um resumo, ainda que bem simples, das coisas que assisto…

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