K. F. em carta aos pais

Dai-me a benção, pai? A sua, só, e não a de seus próprios pais. Seus pais (em gesso e versículos), são seus, e assim se rompem as possibilidades de descendência. Você produz espíritos em discursos, mas eu queria apenas uma mão, ossos, e tudo o que há de mais natural. Mas hoje não  trago a você nada demais, nada a mais. Quero apenas pedir perdão (um alicerce para um dia poder te pedir o adeus). Queria que o seu (a)deus, que sempre me oferece, me (fosse) leve! Perdão, digo, pois não trago nada a mais, nada demais. Me permiti ser minha própria quota de errado, o bicho estranho, veja, um quase filho – trágico! De tudo o que já me foi dado, de todas aquelas coisas que quis, se quis, perdão é tudo o que quero pedir. Mas, sem mais. Tal como numa oração, destas de sempre. E em tempo que espero, te pedirei o adeus.

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