As escadas e os engasgos

A escada serve como cenário, o degrau como deslize, o chão como capela. A refeição no refúgio da mesa serve como conforto, a pressa das garfadas como desespero, a garganta fechada como adeus.
A verdade é que, no campo das finitudes, não há espaço para a ausência de inevitabilidade. Nenhum deles se despediu e, entre seus semelhantes, poucos o fizeram, embora já o sopro do ar que os fez chegar anunciasse que em breve iriam.

Eles só tinham 3 décadas que aproveitar, sem nunca disso saber, embora segredo nunca tenha sido. Somos brevidades de um mundo velho – bem mais velho do que as trombetas de anjos e os chicotes dos castigos imaginados por aqueles presos em leis e livros.

Tudo se esvai, tudo se esvanesce. O que resta é a espera pelo que ainda não existe, é o que ainda não é, é a nossa esperançosa incapacidade de construir finais. E sequer há início, sequer há meio, sequer há fim – pois sequer há tempo!

 

[para maísa. 15. para rafael. 16]

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